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Certificados de Aforro Série F: o guia simples para começar a poupar

Poupar 100 euros por mês parece pouco. Ao fim de dez anos, são 12.000 euros que saíram do seu orçamento quase sem se dar por isso.

Pequenas decisões, grande diferença

Poupar 100 euros por mês parece pouco. Ao fim de dez anos, são 12.000 euros que saíram do seu orçamento quase sem se dar por isso. O que muda é onde esse dinheiro esteve: parado numa conta à ordem ou a render, ainda que modestamente. A diferença raramente é espetacular de um mês para o outro. Nota-se com o tempo.

É por isso que vale a pena conhecer os produtos de poupança mais simples. Os Certificados de Aforro, emitidos pelo Estado português, são dos mais populares, e a Série F é a única que está atualmente à venda. Substituiu a Série E em junho de 2023 e tem regras próprias: uma taxa mais baixa, mas com prémios que premeiam quem fica muito tempo.

Este artigo explica como funciona a Série F, com números atualizados a 14 de outubro de 2026. Tem fins educativos e não constitui uma recomendação de investimento personalizada.

O que são os Certificados de Aforro Série F

Os Certificados de Aforro são uma forma de emprestar dinheiro ao Estado português, através do IGCP (a agência que gere a tesouraria e a dívida pública). Em troca, o Estado paga-lhe juros e garante o reembolso do capital investido, segundo o ECO. Foram pensados para as famílias, com montantes de entrada acessíveis e sem a complexidade dos mercados financeiros.

A Série F entrou em comercialização a 5 de junho de 2023, quando o Governo encerrou a Série E. Teve uma estreia polémica: a DECO PROteste criticou-a por render menos no máximo (2,5% de taxa base), ter um prazo mais longo e prémios de permanência mais baixos nos primeiros nove anos.

As características principais são estas:

  • Prazo máximo: 15 anos.
  • Valor mínimo: 100 euros na subscrição inicial; reforços a partir de 10 euros.
  • Juros: vencem-se de três em três meses e são capitalizados, ou seja, somam-se ao capital e passam também a render.
  • Liquidez: é possível levantar o dinheiro, total ou parcialmente, a partir do terceiro mês.
  • Emitente: o Estado português, através do IGCP.

Como funciona a remuneração

A taxa da Série F não é fixa. Tem duas partes: uma taxa base que varia todos os meses e um prémio de permanência que premeia quem não mexe no dinheiro.

1. Taxa base. É a média da Euribor a 3 meses nos dez dias úteis anteriores ao cálculo, que o IGCP faz no antepenúltimo dia útil de cada mês. O resultado nunca pode ser inferior a 0% nem superior a 2,5%. Cada certificado tem a sua taxa revista de três em três meses, consoante o mês em que foi subscrito.

A Euribor é uma taxa de referência do mercado monetário, a mesma que influencia muitos créditos à habitação. Exemplos de como a fórmula funciona:

Média da Euribor a 3 meses Taxa base da Série F (bruta)
1,0% 1,0%
2,0% 2,0%
2,5% 2,5% (limite)
3,0% 2,5% (limite)

 

A taxa base tem subido ao longo de 2026. Segundo o Doutor Finanças, foi de 2,215% em junho e de 2,356% em julho. Em outubro de 2026 está no teto de 2,5%, pelo segundo mês consecutivo, porque a Euribor a 3 meses negociou sempre acima desse valor nos dias de referência, de acordo com o ECO.

2. Prémio de permanência. Quanto mais tempo mantiver os certificados, mais o Estado acrescenta à taxa base:

Tempo de permanência Prémio (pontos percentuais) Taxa bruta máxima possível
1.º ano 0 2,5%
2.º ao 5.º ano 0,25 2,75%
6.º ao 9.º ano 0,5 3,0%
10.º e 11.º ano 1,0 3,5%
12.º e 13.º ano 1,5 4,0%
14.º e 15.º ano 1,75 4,25%

 

A taxa máxima possível de 4,25% só se verifica se a taxa base estiver no teto de 2,5% e se mantiver os certificados até aos últimos dois anos. Se a Euribor descer, a taxa base desce também e o prémio é somado ao valor mais baixo.

Impostos, limites e como subscrever

Fiscalidade. Os juros dos Certificados de Aforro estão sujeitos a uma retenção de 28% de IRS. Na prática, a taxa que realmente recebe é inferior à taxa bruta anunciada. Um exemplo da DECO PROteste: uma taxa bruta de 3,5% corresponde a cerca de 2,5% líquidos. É sempre o valor líquido que deve comparar com outros produtos.

Limites. Cada pessoa singular só pode ter uma conta aforro. Segundo o Doutor Finanças, desde abril de 2026 o limite máximo é de 250 mil euros na Série F, e de 500 mil euros somando as séries E e F. Confirme sempre os limites em vigor no IGCP antes de subscrever.

Como subscrever. Pode fazê-lo através do AforroNet, nos CTT ou nos Espaços Cidadão. O valor mínimo da subscrição inicial é de 100 euros, e os reforços podem ser de 10 euros.

Quem já tem Série E mantém os seus certificados nas condições originais, que já não estão disponíveis para novas subscrições. Subscrever a Série F não altera a Série E, mas o limite total conta as duas séries em conjunto.

Exemplos práticos em euros

Os exemplos seguintes são ilustrativos. Usam valores arredondados, não consideram o efeito da capitalização trimestral (que acrescenta um pouco aos juros) e não garantem qualquer resultado futuro.

Exemplo 1: o Miguel começa hoje. O Miguel tem 3.000 euros de reserva e subscreve a Série F em outubro de 2026, com a taxa base de 2,5%. No primeiro ano não há prémio de permanência. Isso dá 75 euros brutos, 21 euros de IRS e 54 euros líquidos ao fim do ano, ou seja, cerca de 13,50 euros líquidos por trimestre.

Exemplo 2: e se ficar muitos anos? Veja o que aconteceria a 10.000 euros se a taxa base se mantivesse no teto de 2,5% durante todo o prazo. É um cenário hipotético: a taxa base pode ser mais baixa.

Fase (taxa base de 2,5%) Taxa bruta Juros brutos/ano IRS (28%) Juros líquidos/ano
1.º ano 2,5% 250 € 70 € 180 €
2.º ao 5.º ano 2,75% 275 € 77 € 198 €
6.º ao 9.º ano 3,0% 300 € 84 € 216 €
10.º e 11.º ano 3,5% 350 € 98 € 252 €
12.º e 13.º ano 4,0% 400 € 112 € 288 €
14.º e 15.º ano 4,25% 425 € 119 € 306 €

 

Exemplo 3: e se a Euribor descer? Como a taxa base acompanha a Euribor, o rendimento pode variar. Se a média da Euribor a 3 meses fosse de 1,5%, os mesmos 10.000 euros renderiam, no primeiro ano, 150 euros brutos e 108 euros líquidos, em vez de 180.

E a inflação e os depósitos? A DECO PROteste citava uma previsão do Banco de Portugal de 2,1% de inflação para 2026 (DECO PROteste). Os 1,8% líquidos do primeiro ano ficam ligeiramente abaixo desse valor. Quanto aos depósitos, o ECO indica, com dados do Banco de Portugal, que a taxa média dos novos depósitos a prazo de particulares foi de 1,59% em julho. Compare sempre taxas líquidas com taxas líquidas e confirme as condições de cada produto. Os certificados servem melhor para guardar dinheiro com pouco risco do que para o fazer crescer de forma significativa.

Série F e Série E: o que mudou

Muitas pessoas comparam a Série F com a Série E, que já não está à venda. A tabela resume as principais diferenças, segundo o Doutor Finanças.

  Série F Série E
Estado Em comercialização Encerrada em junho de 2023
Taxa base Euribor a 3 meses, entre 0% e 2,5% Euribor a 3 meses + 1 ponto, entre 0% e 3,5%
Prazo máximo 15 anos 10 anos
Prémios de permanência De 0,25 a 1,75 pontos, consoante o ano 0,5 pontos (2.º ao 5.º ano); 1 ponto (6.º ao 10.º ano)
Taxa bruta máxima possível 4,25% 4,5%

Pontos fortes e limitações

Os Certificados de Aforro têm características que explicam a sua popularidade, mas também limites que convém conhecer.

Pontos fortes

  • São emitidos pelo Estado português, o que os torna um produto de risco baixo.
  • Aceitam montantes pequenos e são simples de acompanhar.
  • Os juros capitalizam todos os trimestres, sem ação da sua parte.
  • Permitem levantar o dinheiro, total ou parcialmente, a partir do terceiro mês.
  • Os prémios de permanência recompensam quem mantém o investimento durante muitos anos.

Limitações

  • A taxa é variável e tem um teto de 2,5% na taxa base.
  • Os juros pagam 28% de IRS, pelo que o rendimento líquido é menor do que a taxa anunciada.
  • O rendimento líquido do primeiro ano pode ficar abaixo da inflação.
  • Os prémios mais altos só chegam depois de uma década ou mais.
  • Concentram a poupança numa única entidade emitente, o Estado português.

Perguntas frequentes

Ainda posso subscrever a Série E? Não. Só a Série F está disponível para novas subscrições.

Posso ter Série E e Série F? Sim. As duas séries coexistem na mesma conta aforro, com um limite total comum.

A taxa pode descer? Sim. A taxa base acompanha a Euribor a 3 meses, pelo que pode subir ou descer, entre 0% e 2,5%.

Devo subscrever? Depende da sua situação, dos seus objetivos e das alternativas disponíveis. Esta é uma decisão pessoal, e um profissional financeiro independente pode ajudar a avaliá-la.

Conclusão: o primeiro passo conta mais do que o passo perfeito

Os Certificados de Aforro Série F são um bom exemplo de como um produto simples, bem compreendido e mantido com paciência pode contribuir para a sua estabilidade financeira. Não vão mudar a sua vida de um dia para o outro, nem prometem isso. Servem para guardar dinheiro com risco baixo e para ir somando juros, trimestre após trimestre.

Se quer começar a pôr as suas finanças em ordem, estes passos são um bom ponto de partida:

  1. Veja o que já tem. Se subscreveu certificados no passado, confirme a série, a data e o valor acumulado no AforroNet ou nos CTT.
  2. Defina o objetivo do dinheiro. Uma reserva para imprevistos, um projeto a três anos e a reforma pedem soluções diferentes.
  3. Compare taxas líquidas. Olhe sempre para o que fica depois do IRS e para as condições de resgate.
  4. Comece pequeno e crie rotina. Um valor mensal que não lhe pese no orçamento vale mais do que um grande esforço que não consegue manter.

Nenhum destes passos exige conhecimentos avançados. Exigem apenas que comece. As taxas e as regras podem mudar, por isso confirme sempre os valores atuais junto do IGCP antes de decidir.

Este artigo é informativo e educativo. Não constitui aconselhamento financeiro, fiscal ou jurídico personalizado. Para decisões que dependem da sua situação concreta, consulte um profissional independente.

Fontes

Informação consultada a 14 de outubro de 2026.

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